shadow

 Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo  de Campos (RJ)


 

Estamos já na reta final das eleições municipais 2016, e podemos dizer que o processo foi curto, contaminado e com a incidência de várias distrações. Curto, pois, a micro reforma de 2015 reduziu o tempo das campanhas. Contaminado pela crise política, o impeachment e a operação lava jato, e a distração das olimpíadas e paraolimpíadas que não permitiram focalizar o momento eleitoral como um todo. Verifica-se os limites da última reforma, que não mexeu nos partidos, na sua esperada renovação, atualização e democratização, e se enfraqueceu a ficha limpa quando se deixou aos vereadores aprovarem a prestação de contas de candidatos.

Ao mesmo tempo as eleições municipais têm uma dinâmica própria e o fator local define. Isto foi observado por Converse o pioneiro das surveys eleitorais (pesquisas de intenção de voto) nos Estados Unidos. Ele considerava que quem era situação no comando das Prefeituras largava na frente com um 25 a 30 % dos votos, e por isso mesmo eram necessários normas restritivas ao uso da máquina pública, senão o pleito ficaria prejudicado e desigual. Inaugurações, obras públicas de última hora, assistência social eleitoreira, contratações, foram proibidas e vedadas, pois desequilibravam o processo.

Estes procedimentos pautam a mesmice de práticas manipuladoras que induzem o voto e não possibilitam o controle social do processo eleitoral, nem uma cultura cívica transparente e responsável.

A esperança está em continuar o processo de reforma política, aprofundar a cultura democrática, fortalecendo mecanismos de controle e de alternância e rodízio, impedindo a cristalização de interesses alheios ao bem comum, a privatização da coisa pública, e as caixas pretas das finanças municipais nas várias regiões do Brasil. A democracia não precisa de salvadores, pensamento muito frequente no imaginário latino-americano, mas políticos servos e humildes, que saibam promover a colaboração e o empoderamento dos cidadãos. É necessário um novo perfil de gestor público, líder que dialoga e cria consensos amplos e parcerias com uma sociedade civil forte e autônoma. Que administre com transparência, lisura e participação, sem gastanças ou factoides que tratam de substituir um planejamento sério, prospectivo e envolvimento de toda a população, pois ela merece ser sempre ouvida e respeitada nas decisões.

Deus seja louvado!

Author

Redação Voto Católico Brasil

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *